História
Nasci em Teixera, Estado da Paraíba, precisamente na Rua da Areia. Meu pai - Raimundo Nunes de Melo, primo legítimo dos irmãos Batista, Dimas, Otacílio e Lourival, três dos maiores cantadores de viola que mundo conheceu - foi um simples comerciante, que perambulou por várias cidades do Nordeste, fugindo da seca terrível que em sua época abalava as famílias pobres. Raimundo Nunes era um seresteiro, também. Não conto as vezez em que presenciei, ele ao violão, entoar músicas da sua época, particularmente aquelas que tocavam os corações femininos. Minha mãe, Joana Nunes de Melo, nasceu em um sítio, próximo à Teixeira. Foi uma exímia costureira. Da união, nasceram sete filhos: Ambrósio (hoje Juiz de Direito em Pernambuco), Adilson (hoje Juiz de Direito em Pernambuco), Arlete (professora primária), Admilson (Delegado da Polícia Civil da Paraíba), Adeilson (hoje Juiz de Direito de Rio Tinto, Paraíba), Ailton (hoje Juiz de Direito em Campina Grande, Paraíba) e eu, Adeildo (Juiz de Direito em Pernambuco). Certamente não foi fácil para Joana, conhecida por Joaninha, criar e educar seus sete filhos, face à ausência constante do meu pai Raimundo, que costumava empreender viagens para o sul do País, sem dia certo de retorno. Contudo, Joaninha, com uma máquina de costura manual surpreendeu o mundo, quando conseguiu formar e educar seus filhos, cinco deles que atingiram a magistratura. Porém, como se vê, ela conseguiu de forma glorificada, fazer seus filhos aprenderem a ler, já que ela não teve essa oportunidade. Enquanto muitos dos seus filhos enveredaram pelo caminho das artes (Ambrósio, o mais velho, é um poeta, compositor, músico e escritor), Adeilson é um poeta, Ailton um saxofonista e violonista de primeira linha, eu também me dedico ao mundo da poesia (tenho quatro livros publicados), da música (toco violão), sou mestre em Direito, professor universitário desde 1995 (levado pelas mãos do mestre Pinto Ferreira) e, além de juiz publiquei três livros técnicos na área do Direito Administrativo e do Penitenciário, por outro lado, carregamos a bravura, a honradez e a perseverança, claro, que tão bem Joaninha ensinou.

Casado com Graças (cardiologista), desde 1986, trouxemos ao mundo três lindos filhos, que ora querem seguir a caminhada do pai, ora a da mãe (Ricardo, Joana e Clarissa). Plínio, formado em Direito e quase mestre pela UFPE, foi o meu primeiro filho, advindo de uma união marital que pouco durou. Além dos meus livros, do meu violão, dos meus versos, do meu amor por Graças e dos amigos fieis, concretamente falando, meus quatro filhos foram e serão, sem dúvidas, o que de mais extraordinário construi na vida. Dois deles já formados em Direito, uma quase fisioterapêutica e uma estudante de Direito, é o resultado do que aprendi com Joaninha e Raimundo: "o homem não pode parar de sonhar".

Hoje magistrado, professor, escritor, poeta e boêmio, a minha história deverá ser contada por eles, quando eu estiver fora do alcance das emoções que vivi ao longo da minha vida.

Como magistrado, recebi, com orgulho, os títulos de cidadão de Pernambuco, de Recife, de Olinda, de Gravatá, de Saloá, de Serra Talhada, de Arcoverde e da minha querida São José do Egito. Sempre busquei, acima de tudo, uma conduta ética e moral que pudesse referenciar meus pais e a minha própria vida, o que acho que consegui. Sou um homem absolutamente feliz com a vida e com o pouco que construi de positivo, embora tenha pecado demasiadamente, tantas vezes que seria impossível descrever nestas poucas linhas. Entretanto, o que aprendi foi o bastante para hoje retribuir aos que leêm meus artigos, meus livros e aos meus alunos, como forma de agradecimento pelo muito que a vida me deu.

Adeildo Nunes

Recife, abril de 2011.