A Realidade das Prisões Brasileiras
O livro "A Realidade das Prisões Brasileiras", publicado pela Editora Nossa Livraria de Recife, em 2005 (1ª edição), com 386 páginas, é o inteiro conteúdo da dissertação de Mestrado, concluído junto à Universidade Lusíada de Lisboa, com a orientação da professora Doutora Anabela Miranda Rodrigues, da Faculdade de Direito de Coimbra, em abril de 2005. Nele, Adeildo Nunes traz um estudo aprofundado do modelo prisional existente no mundo e no Brasil, particularmente consagrando os principais problemas e soluções para a crise carcerária mundial e brasileira. O autor, com efeito, ao longo de 3 anos pesquisou a matéria com afinco e dedicação, demonstrando, no final do trabalho, que é possível reintegrar socialmente o condenado, desde que o Estado – detentor do poder de punir – e a sociedade, empreendam esforços comuns neste sentido. Porém – diz o autor – é impossível recuperar sem a anuência do próprio condenado, concluindo, contudo, que no atual modelo prisional adotado no Brasil, somente a religião tem conseguido recuperar alguns poucos criminosos, por absoluta omissão do Estado e da sociedade, especificamente porque não há vontade política de oferecer educação, saúde, dignidade e reaproximação familiar ao preso.

Comprovando que é visível o crescimento da criminalidade junto às mulheres, o autor diz que "o perfil social de quem hoje ingressa em nossas prisões, apresenta um quadro desolador: são pessoas que têm entre 18 a 25 anos de idade, sem profissão definida, desempregados, família desconstituída, geralmente analfabetos e com vinculação com substâncias entorpecentes". Diante desse fenômeno social – prossegue o autor – dá-se o que denomina-se de "dessocialização", pois a prisão ao invés de construir um novo homem, oferece aos reclusos, somente, indignidade e desrespeito humano. A prisão que era para oferecer as condições sociais o que o homem ou a mulher não tinham quando ingressaram no sistema prisional, eram para ser disponibilizadas dentro do ambiente prisional, o que não acontece na prática.